OCDE projecta desaceleração no crescimento do PIB para o próximo ano

OCDE projecta desaceleração no crescimento do PIB para o próximo ano

A informação foi publicada esta quinta-feira no relatório da OCDE “Economic Outlook”, prevendo a OCDE que o crescimento da economia portuguesa mantenha a actual desaceleração até 2021. A previsão revê ainda em baixa o crescimento do PIB, apontando para 1,8% para o próximo ano, mantendo no entanto a previsão de défice nulo para o próximo ano e de 0,1% para este.

Segundo a OCDE, de acordo com artigo publicado no Jornal Económico, a presente evolução é justificada pela diminuição do consumo interno, pelo menor consumo das famílias, no entanto esta é “compensada pela resistência das exportações portuguesas ao abrandamento internacional, devido aos ganhos de competitividade” – competitividade esta justificada pelo baixo crescimento do custo do trabalho.

“Apesar da baixa inflação e condições financeiras favoráveis, o crescimento das despesas das famílias deve diminuir devido a alguma moderação no crescimento do emprego e à estabilização do crescimento dos salários”, refere a OCDE.

A OCDE revê em alta o crescimento da economia nacional este ano em 1,9%, alinhando com as previsões do Governo, depois de no relatório publicado em Maio ter previsto um crescimento de 1,8%, um ponto percentual abaixo da previsão actual. Na previsão para 2020 é estimado o crescimento de 1,8%, desacelerando novamente em 2021 para 1,7%. A projecção das finanças prevê um crescimento estável de 1,9% até 2021.

Riscos emergentes

A OCDE alerta, no entanto, que a deterioração adicional das perspectivas de crescimento na União Europeia, juntamente com os riscos e incertezas inerentes ao Brexit, poderão ter sérios efeitos na economia. Por outro lado é também previsto um aumento no investimento para 2021, suportado pela maior absorção dos fundos estruturais da União Europeia, impulsionando as importações e dinamizando a economia.

Segundo artigo do jornal Eco, a organização liderada por José Ángel Gurría explica que o crescimento económico mundial e as perspectivas para o futuro tem vindo a “deteriorar-se constantemente” nos dois últimos anos, o que levou a uma queda no comércio entre os países e nos fluxos de investimento.

A OCDE refere ainda que o sector bancário continua vulnerável a choques financeiros, devido aos elevados níveis de crédito malparado.

Uma situação generalizada

As previsões da OCDE são revistas em baixa, mas não apenas para Portugal. A previsão da diminuição do ritmo de crescimento é feita a toda a economia mundial, prevendo o pior ritmo de crescimento desde a crise financeira de 2009. Vários factores de incerteza política, económica e social, desde as guerras comerciais entre China e Estados Unidos, a incerteza do Brexit, conflitos em várias partes do globo e outros factores estruturais pesam no crescimento, e há probabilidade de toda a conjectura se deteriorar.

“O crescimento [económico] pode ser mais baixo se os riscos negativos se materializarem ou interagirem, incluindo um aumento nas restrições ao comércio e ao investimento trans-fronteiriço, a continuação da incerteza relacionada com o Brexit, a incapacidade dos estímulos de evitarem um abrandamento mais pronunciado na China e o surgimento de vulnerabilidades financeiras das tensões entre o abrandamento do crescimento, a elevada dívida das empresas e a deterioração da qualidade do crédito”, indica a OCDE.

Uma mensagem clara da OCDE

Devido ao problema generalizado que afecta as economias a nível mundial, a OCDE envia uma mensagem clara para os decisores políticos das várias economias desenvolvidas:

“Há margem e uma necessidade urgente de políticas muito mais ousadas para reanimar o crescimento. Reduzir a incerteza política, repensar a política fiscal, e agir de forma decisiva para responder aos desafios levantados pela digitalização e as alterações climáticas, todas [estas questões] têm o potencial para reverter a tendência de abrandamento atual e melhorar o crescimento futuro e as condições de vida”;

“Os governos devem concentrar-se não apenas nos benefícios dos estímulos orçamentais no curto prazo, mas especialmente nos ganhos no longo prazo e para este fim deviam rever o enquadramento das suas políticas de investimento. A criação de fundos de investimento nacionais, concentrados em investir no futuro, poderia ajudar os governos a desenhar planos de investimento”, refere a OCDE.

Sugestões para Portugal

Há países nos quais, devido à dimensão da dívida pública – como é o caso de Portugal – não há margem no orçamento para o aumento da despesa (ao contrário do que a dimensão do novo governo nos leva a acreditar), a OCDE deixa algumas sugestões para que estes países possam promover políticas “amigas” do crescimento, como alterações à estrutura de impostos e realização de despesas em rubricas que possam promover a aceleração da economia.

Nestes países, as autoridades ainda podem estimular a atividade económica mudando a estrutura da despesa e dos impostos para áreas que são mais favoráveis ao crescimento económico. Por exemplo, uma política orçamental equilibrada pode aumentar a despesa em componentes que aumentem o crescimento — como a educação e o investimento público em infraestruturas, saúde, e investigação e desenvolvimento — reduzindo ao mesmo tempo despesa que prejudique o investimento – como os subsídios a setores que limitam a concorrência” – diz a OCDE.

Álvaro Santos Pereira defende o regresso às reformas estruturais

Segundo Álvaro Santos Pereira, ex-Ministro da Economia e actual director do Departamento de Estudos da OCDE e citado pelo Jornal Económico, sugere que Portugal deverá “regressar” às reformas estruturais de forma a potenciar o crescimento económico sustentado do país, e ao mesmo tempo enfrentar o desaceleramento projectado pela instituição para os próximos anos.

“Se Portugal está a crescer perto de 2% foi porque há anos atrás se fizeram reformas estruturais importantes que fizeram libertar o crescimento económico e baixar o desemprego”.

“Temos que voltar às reformas estruturais. Precisamos de melhorar a nossa competitividade, precisamos de apostar em políticas que dinamizem a nossa produtividade que é muito baixa e tem crescido a ritmos demasiado baixos, e precisamos de estar a crescer como outros países da Europa de Leste estão a crescer”, disse Álvaro Santos Pereira em Paris, em declarações à RTP3.

Acrescenta ainda: “É importante pôr as coisas em contexto: estamos a prever uma grande desaceleração da economia mundial. Há um ano atrás, estava a crescer cerca de 4% ao ano, neste momento estamos a prever que vai ser 2,9% e para o próximo ano 3%. São taxas de crescimento da economia mundial mais baixas desde a crise internacional”.

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